Jardins Verticais e Telhados Verdes irrigados agregam valor

Autor: Marcelo Zlochevsky - Data: 24/08/2020

Vivemos tempos que pedem revisões dos conceitos e do que chamávamos de Consensual e Normal. Chegaremos a um acordo sobre um possível “Novo Normal” ou os tempos pedem por reassumir o que já foi Habitual e Natural? Não seria a primeira vez que a reinvenção remete ao passado.

Bulimos mais uma vez com a Natureza, invadindo o ciclo estável de um Vírus que coabitava com morcegos. Para que mexer com o morcego? Para sobreviver, o Vírus mudou de hospedeiro e veio ao encontro fatal com o “Homo-Destrói-Equilíbrios-e-não-está-nem-aí”.

Uma entrevista que assisti, alerta para essa bagunça provocada, chamando a atenção para próximos desequilíbrios perto de nós; Logo-Ali-Na-Amazônia, outros Vírus Letais habitam em harmonia com seus hospedeiros. Pode ser mais um lunático jogando contra o progresso! Mas talvez não seja, como outros não foram.
Ontem tive o privilégio de assistir a dois gênios do paisagismo, e a reflexão me remeteu a tudo isso.

Um vídeo celebrando 111 anos do nascimento de Roberto Burle Marx, mostrando a trajetória e a simplicidade da sua criação. Nada de maluco ou inventivo. Ele apenas foi até a natureza, a entendeu e criou reproduzindo respeitosamente biomas e habitats naturais. Desenhou curvas com vegetação nativa onde se fabricavam linhas retas com vegetação exótica.

Na sequência, assisti ao Raul Cânovas falando sobre o Jardim do Futuro. Perdi a conta de quantas palestras dele já assisti com este título. Novas fotos e novos slides renovam a mensagem do mesmo legado: Harmonizar com o que a Natureza já oferece pronto e gratuito.

A genialidade não está na criação de um “Novo Normal”. O Jardim do Futuro devolve ao passado e volta a desfrutar de odores e cores, conviver com a harmonia do Jardim naturalmente composto, usando biomas locais; plantas do Cerrado no Cerrado e plantas Tropicais nos Trópicos, deixando as podas para o “Edward Mãos de Tesoura”. Simples assim.

Aprendi a apreciar uma tendência atual do paisagismo; um estilo que otimiza espaços, repõe a vegetação removida, reveste o concreto que construímos para nos revestir. A qualidade de vida nas cidades ocupa mais atenção, com Jardins Verticais e Telhados Verdes se multiplicando de forma consciente e bem feita.

Sem jardins e paisagismo é difícil falar em qualidade de vida e sustentabilidade nas complexas regiões urbanas. Sem água é difícil ter um paisagismo estável. Os Telhados Verdes e Jardins Verticais somam também coleta de água de chuva e reuso de água, protagonizando um reforço ainda maior a bons hábitos de sustentabilidade.

Maior conforto térmico, infiltrar a água da chuva, devolver a diversidade da fauna, melhorar a qualidade do ar, são alguns benefícios destas modalidades de paisagismo já comuns em nossos tempos.

Telhados Verdes e Jardins Verticais não substituem a arborização e não podem ser usados como moeda de troca de desmatamento, um erro já cometido em grandes metrópoles. O seu melhor espaço é no que já foi construído e não no que ainda será construído repondo árvores.

No passado as secas assolavam o Nordeste e hoje se espalham pelo Sul e Sudeste. Estamos em agosto, pleno período de inverno, com 25 a 30°C no Sudeste, 15°C em Petrolina-PE e chuva em Mossoró-RN.

Nada contra a benção da chuva; apenas realço a desordem no clima, que alguns ainda insistem ser maluquice de cientista irresponsável; chuvas regulares nas estações previstas já não temos, especialmente nos centros urbanos.
Com secas prolongadas, é mandatório planejar a irrigação adequada a oscilações, ajustando diariamente a reposição de água às plantas.

A indústria da irrigação responde a este desafio, com soluções para que Jardins Verticais e Telhados Verdes cumpram a missão de apoiar a atenção a harmonia do paisagismo repondo cirurgicamente a quantidade de água, na frequência desejada e usando águas alternativas, inclusive da chuva que virou incomodo para alguns.

Em vez do “Tomara que Chova 3 Dias Sem Parar”, a prece parece ser “Tomara que hoje não Chova”.
A coleta de água de chuva e o uso na irrigação tornaram-se usuais, mesmo se não suficientes ao longo do ano. No Centro Oeste, chove durante 4 a 5 meses do ano, demandando reservatórios.

Armazenar água de reuso em residências, condomínios, arenas esportivas, shopping centers e edificações comerciais é comum em nossos tempos. A água de reuso na irrigação do paisagismo se confirma como a opção menos exigente de tratamento da água, tem a melhor relação custo benefício e maior praticidade.

O gotejamento enterrado no paisagismo aceita a água com odor desconfortável e níveis de coliformes indesejados, sem afetar o ambiente ou causar doenças.

A abordagem aqui será a diversidade de opções da irrigação automatizada em Jardins Verticais e Telhados Verdes, com foco na sustentabilidade, que ainda agrega pontos a certificados cada vez mais exigidos, premiando o paisagismo adequado e bem projetado, a irrigação automatizada, o ajuste automático pela variação climática, coeficientes de uniformidade e a redução do uso de água tratada.

A Irrigação de Baixo Volume, as vezes chamada de Irrigação Localizada, atende a todo o universo do paisagismo irrigado, especialmente a chamada Xero Jardinagem, nome que tem origem no grego; Xeros significa Seco.

A grande variedade de emissores permite aplicar água apenas no local desejado, atender a necessidade de cada espécie e clima, reduzir as perdas e economizar água e energia.

Esta é a família que atende a irrigação de Jardins Verticais e Telhados Verdes com gotejadores pontuais e nebulizadores de ambiente quando oportuno. Temos também emissores autocompensantes, com vazão constante em uma faixa de variação de pressão, assegurando a aplicação da quantidade de água calculada, mesmo que a altura da Parede Verde ou o comprimento da Laje Verde influenciem.

Outro destaque desta linha de produtos é a operação em pressões baixas, com tubos gotejadores que funcionam com 2 metros de coluna, comuns à altura das caixas d´água de telhados, reduzindo a necessidade de bombas.

Na família dos tubos gotejadores, os emissores resistentes a intrusão de raízes, facilitam o uso da irrigação 100% enterrada, sem agrotóxicos ou práticas inadequadas no paisagismo.

Um erro comum é tratar as plantas sem considerar o Fator da Espécie com diferentes demandas de quantidade de água e do manejo da irrigação.

O Fator do Microclima leva em conta a configuração, a disposição e a altura da parede e do telhado, com demandas de água que variam de forma significativa; as camadas superiores exigem mais água que as intermediárias e que a parte mais baixa no Jardim Vertical.

Estes equipamentos permitem diversas opções de construção do Jardim Vertical e do Telhado Verde, usando vasos, calhas de tamanhos diferentes, profundidades e substratos alternativos, com espécies atendidas de forma diferenciada em um mesmo sistema de irrigação.

Esta família tem também emissores abrangentes, com diferentes arcos e nebulizadores, com a opção de ajuste individual do alcance e da vazão conforme a conveniência. Em telhados verdes, com gramíneas, vegetação rasteira ou pequenas hortas, o uso de Spray de baixa vazão é adequado.

São úteis também quando necessário complementar a lâmina específica de uma espécie. Em jardins verticais, os nebulizadores têm uso na emissão de uma névoa fina, amenizando a agressividade do microclima mais seco, em especial nas paredes mais altas.

São ideais em painéis e áreas externas, com uma linha de nebulizadores a cada 5 a 10 metros, operados em um setor independente em intervalos e frequências adequados. A prática mostra que nebulização da primeira linha de vasos melhora a eficiência da irrigação de uma parede verde combinada com gotejadores.

Os Gotejadores de botão são comercializados em vários modelos, atendendo a situações específicas. Temos vazões de 2 a 10 l/h, de uma saída ou de múltiplas saídas. Estes emissores, vendidos isoladamente são inseridos durante a instalação, diretamente na tubulação de polietileno ou com microtubo e fixo por uma estaca. Esta é a melhor solução para irrigação de Jardins Verticais com vasos individuais.

O Tubo Gotejador já vem com emissores de 1 a 4 l/h inseridos a cada 30 ou 45 cm na tubulação no processo da fabricação. São adequados aos diversos tipos de substratos e aplicações em Jardins Verticais com calhas e Telhados Verdes em geral, sem a preocupação de coincidir emissores e plantas, mas criar uma faixa úmida continua permitindo o uso de qualquer tipo de planta e de manejo de irrigação.

Em telhados verdes, os tubos gotejadores podem ser enterrados ou superficiais, conveniente a diferentes profundidades de lajes (geralmente rasas e com pouco substrato), vasos e calhas, alinhando regas delicadas e de baixa precipitação, evitando excessos, escorrimentos e alagamentos.

Há diversas opções de equipamentos para programar, controlar e ajustar o manejo da irrigação, conforme as particularidades do microclima local. Podemos por exemplo programar um “leve borrifar” de água a cada hora onde necessário, independente da irrigação de reposição de água e fracionar em operações de curta duração reduzindo os escorrimentos.

Atendemos a plantas expostas a um microclima mais agressivo na parte alta e reduzimos os excessos de água nas partes inferiores do Jardim Vertical.

Um dos maiores erros cometidos na irrigação de jardins é o manejo, por exemplo, operando toda a extensão de uma Parede Verde a um só tempo, desconsiderando a variação de espécies, microclima e a idade das plantas.

Os controladores e sensores, permitem tratar a irrigação de qualquer dimensão de jardim de forma econômica, personalizada e segura. A irrigação precisa, a saúde das plantas e a economia de água são os maiores benefícios.

Estudos revelam reduções de até 70% no volume de água utilizado. O controle da irrigação de locais com acesso à internet através de um roteador WIFI, incorpora o benefício da correção diária do tempo de rega, ajustado ao clima das últimas 24 horas, com base a uma estação meteorológica mais próxima.

Para pontos isolados, sem disponibilidade de energia elétrica ou quando há dificuldade de passar fios, o ideal é utilizar controladores a pilha ou a bateria. Os modelos com alimentação de energia elétrica oferecem a opção de comando remoto e ajuste automático pela variação climática.



Controlador integrado Controlador a bateria Controlador com WIFI Em Jardins Verticais e Telhados Verdes é importante dividir o tempo total de rega em mais de uma operação. Evita-se o umedecimento excessivo e o escorrimento de água. Em tempos de racionamento de água, podemos oferecer uma lâmina d’água mínima, conservando as plantas, sem renunciar ao verde do jardim.

São muitos os slogans e campanhas para racionar e utilizar bem a água, sem deixar de preservar o verde à nossa volta, o que é obrigatório para ter qualidade de vida e melhorar um pouco o planeta que vivemos.

Os "modismos" no paisagismo, sem orientação técnica especializada, podem frustrar e ter impactos ambientais, estéticos, sanitários e financeiros adversos, e uma manutenção trabalhosa.

Temos hoje bons cursos de graduação e pós graduação, formando profissionais conscientes, como a EPB, Escola de Paisagismo de Brasília, que ensina o uso consciente da água harmonizado ao jardim mais natural e menos plástico.
É mandatório ter atenção ao uso de produtos adequados na irrigação de Telhados Verdes e de Jardins Verticais, com desempenho e longevidade condizentes.

Os produtos da linha agrícola, ainda que parecidos, não tem as mesmas especificidades, desempenho, estética e adequação. Fica o desafio aos profissionais atuantes na implantação de Jardins Verticais e Telhados Verdes, fabricantes de calhas, vasos, substratos e fornecedores de plantas, paisagistas e especificadores, para que o uso do equipamento certo seja inegociável.

Assim, esta joia dos nossos tempos não será um modismo passageiro desgastado por projetos mal concebidos e sistemas de irrigação inadequados. “O barato que sai caro”.

O reuso das águas descartadas pelos centros urbanos não é novidade. Vários países reusam os dejetos antes descartada. Em Israel, 100% da água do esgoto da cidade de Tel Aviv e de cidades circunvizinhas irrigam campos de algodão, milho e grãos no deserto do Neguev desde a década de 1980.

A água de chuva, hoje alaga as grandes cidades por causa da impermeabilização trazido pelo asfalto que substituiu os paralelepípedos, que calçavam as ruas, mas permitiam a infiltração da chuva. Jardins Verticais e Telhados Verdes bem irrigados só oferecem vantagens e devolvem hábitos do passado que já não nos lembrávamos. Curta esta ideia.

Marcelo Zlochevsky

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