Formas práticas para racionar o uso de água

Autor: Marcelo Zlochevsky - Data: 11/09/2020

A necessidade de economizar água é sem dúvida um grande desafio dos tempos atuais. Racionar o uso da água é
ainda mais desafiador e se torna relevante quando a abordagem tem o olhar da Sustentabilidade de Longo Prazo.

O século XX teve inúmeras guerras travadas por um líquido negro chamado Petróleo, que até hoje é a força motriz
das máquinas e engrenagens que movem a economia.

Os conflitos no Oriente Médio, abrigo das maiores reservas de
petróleo do planeta, deixaram muitos países desabastecidos e a beira da paralisação. Nos anos 70 os Holandeses trocaram os carros pelas bicicletas, um ato simbólico e inspirador da necessidade de desenvolver novas fontes de energia, que vieram logo em seguida.

Surgiram as soluções de Fontes Renováveis como o álcool extraído da cana de açúcar, do milho e da beterraba, Fontes Alternativas como o calor, o sol e o vento e cresceu a produção de Energia Nuclear, tão polêmica quanto necessária.

O século XXI vem sendo marcado pela disputa de outro líquido, incolor e insípido, chamado Água. Considerada pelos químicos como o Solvente Universal, a água atende as funções vitais do reino vegetal e animal e é capaz de gerar a energia mais limpa que conhecemos.

O uso da água na irrigação agrícola é a melhor solução da temível equação da demanda crescente de alimento em ritmo acelerado. Vivemos os momentos mais difíceis do século,
enfrentando uma pandemia que tem na higienização um dos poucos aliados eficazes de proteção; onde falta água fica muito difícil controlar a evolução da COVID-19.

Mas neste caso não há fonte alternativa ou que possa substituir a água, líquido vital a nossa sobrevivência. Não temos outra opção, senão aprender a racionar o uso e a preservar os mananciais de água.

Não há mais dúvidas sobre os danos causados ao meio ambiente. Quando as discussões chegam à esfera da política,
refutando a ciência e a tecnologia, é porque já passamos da fase de apreciação do mérito. Já focamos em práticas sustentáveis e de reparo dos danos causados.

É apenas uma questão de tempo até que se avolumem as vantagens do uso racional em “economês”, como já se vê em obras que captam toda a água e geram toda a energia consumidas usando apenas a chuva e o sol, sem demandar a concessionários destes serviços.

São os chamados projetos “Zero Water & Zero Energy” contemplados em programas implementadas pelo Green Building Council e Certificados LEED (https://www.gbcbrasil.org.br/certificacoes), com comprovada redução de custos a curto, médio e longo prazos.

O clima não tem mais a regularidade típica das estações do ano, com dias quentes no meio do inverno e frentes frias repentinas em pleno verão.

As explicações para as variações climáticas, são todas convincentes e bem fundamentadas. Se avolumaram de forma tão expressiva que os noticiários têm dificuldade em explicar tanto fenômeno novo.

Nestes dias registramos dias em que a temperatura chegou a 35°C, em seguida 17°C e novamente extremos acima dos 30°C em pleno inverno. Na foto ao lado, o mesmo jornal noticia medidas de racionamento de água e enchentes em Brasília num intervalo de 19 dias.

As secas já não são mais exclusividade da região Nordeste e as enchentes não acontecem apenas durante as chuvas de março nas imediações do litoral Sul do Rio de Janeiro. Santa Catarina experimenta os efeitos de pequenos tufões e rajadas de ventos de mais de 100 Km/h e o Pantanal arde em chamas.

Serão as 10 pragas bíblicas voltando com Incêndios, Enchentes, Pandemias? Caminhamos a passos largos ao que podem remeter a outra passagem bíblica, o da Arca de Noé.

Felizmente a conscientização preconiza por dias melhores chegando, à medida que aprendemos a relevância de preservar o verde, permear mais o solo das cidades e despoluir os rios que atravessam nossas metrópoles.

Nosso foco aqui será em práticas simples e de fácil implementação na irrigação de paisagismo urbano, preservando o verde à nossa volta. Está claro que a defesa dos mananciais de água é feita pelo reino vegetal, seja na Amazônia, nos campos de Eucaliptos, nos plantios de grãos e hortaliças ou nos jardins e parques urbanos. Todos eles transformam e felizmente o agricultor, as árvores, os jardins e telhados verdes já são vistos do lado da solução.

Se soubermos irrigar nossos jardins gastando menos água, preservaremos o verde, teremos cidades melhores, recuperaremos os mananciais e nos preparamos para estes tempos melhores. Com certeza temos que trocar o
asfalto, o concreto e o cimento por gramados, bosques e canteiros.

Vejamos como isto é possível com práticas simples e que estão ao nosso alcance.

10 mandamentos simples e funcionais:

1. ESCOLHER AS PLANTAS ADEQUADAS e sempre que possível usar plantas nativas. Há sempre uma boa oferta de plantas de menor demanda de água para formar um paisagismo bem composto e harmônico ao ambiente. Evitar agrupar
plantas de diferentes demandas de água otimiza o manejo da irrigação.

2. UTILIZAR FOLHAGEM é uma maneira de conservar água na região do sistema radicular das plantas e ajudar a mantê-las saudáveis. Espalhar folhas em camadas ao redor de arbustos, árvores e floreiras ajuda a drenagem, incentiva o desenvolvimento das raízes e melhora o solo. Os nutrientes ficam mais disponíveis às plantas. O solo e as plantas ficam mais protegidos de chuvas intensas e reduz o consumo de água em meses quentes.

3. SETORIZAR O SISTEMA de irrigação, permite atender à diferentes demandas de água de diferentes plantas. Separar a irrigação do gramado, da irrigação dos canteiros e das orquídeas, permite atender a diferentes demandas de intervalo de rega. As árvores frutíferas e os arbustos devem ser regados separadamente e com menor frequência. Setorizar um Jardim Vertical ajuda a reduzir o escorrimento por excessos e a contemplar as plantas expostas a condições mais agressivas nas partes mais altas.

4. IRRIGAR O PAISAGISMO entre 5h e 10h da manhã, com sol fraco, ventos calmos e temperatura mais amena. A irrigação ao meio-dia é menos eficiente, perde água por evaporação e vento. A irrigação noturna deixa as folhas úmidas quando a planta não metaboliza, o que é um convite aos fungos.

5. AJUSTAR O TEMPO de irrigação conforme a demanda real de água, o microclima, as variedades das plantas, a densidade de plantio, a idade do jardim, a época do ano e mais. Os controladores de irrigação oferecem recursos para ajustar a programação, inclusive de ajuste climático diário automático pelo clima nas últimas 24 horas.

6. FRACIONAR O TEMPO da rega em mais de uma aplicação; um dos maiores desperdícios decorre dos excessos
da água aplicada de uma só vez; a quantidade de água demandada é regida pelo clima e pelo tipo de planta, mas
as vezes parte da água não é absorvida pelo solo e se perde por escorrimento, lixiviação ou infiltração. Os controladores permitem programar intervalos entre uma rega e outra, o que permite que a água penetre no solo evitando enxurradas.

7. IMPEDIR A IRRIGAÇÃO QUANDO CHOVE ou quando o solo estiver úmido é possível com acessórios de custo acessível, como os sensores de chuva e os sensores de umidade de solo, que automaticamente impedem a irrigação programada quando chove ou quando o solo está úmido.

8. COMBATER O EFEITO DO VENTO que dispersa a água irrigando tudo menos a área desejada. Trocar emissores por opções mais resistentes ao vento e evitar irrigar no meio do dia quando o vento é geralmente mais forte. A irrigação localizada é a mais eficaz em situações de ventos mais intensos e a única que garante molhar apenas as plantas, sem molhar os caminhos, passarelas e as paredes.

9. INVESTIR NA EFICIÊNCIA do sistema de irrigação, trocando bocais antigos por outros mais adequados ao terreno, com preferência a irrigação de baixo volume, reduz o desperdício de água por evaporação, escorrimento e deriva, evitando molhar calçadas e passarelas. Se possível utilizar o gotejamento subsuperficial, aplicando água diretamente no sistema radicular. Em taludes e terrenos mais acidentados preferir emissores de vazão e taxa de precipitação mais baixas.

10. FAZER A INSPEÇÃO ROTINEIRA E A MANUTENÇÃO PREVENTIVA DO SISTEMA de irrigação com um profissional qualificado. Conferir a regulagem da pressão dos aspersores,
eliminar a nebulização e a perda de água por deriva e se preciso instalar acessórios reguladores de pressão.

Utilizar acessórios que evitem o esvaziamento e drenagem da água nos pontos mais baixos evita alagamentos e fungos. Verificar se os aspersores escamoteáveis estão nivelados e sobrepõem as plantas que cresceram. Reparar vazamentos evita sustos na conta de água; um pequeno vazamento pode representar milhares de litros de água desperdiçados se não for corrigido rapidamente.

Veja também:
Água e vida: um binômio essencial
A tecnologia em favor do meio ambiente
Solicitação de outorga para uso de água no Brasil
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