Conhecimento e coragem: a trajetória de José Hilário Cordeiro Neto na irrigação
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 24/03/2026Se você está buscando entender como construir uma carreira sólida na irrigação, a história de José Hilário Cordeiro Neto oferece um retrato realista e direto do que esse caminho exige. Natural de Minas Gerais, ele construiu sua trajetória profissional em Itaipava, distrito de Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde atua há mais de duas décadas no setor.

A entrada de José na irrigação não foi planejada. Técnico agrícola de formação, ele chegou à região para trabalhar na execução de um projeto de reflorestamento. Foi nesse contexto que surgiu o convite para atuar com irrigação, ainda em uma empresa que começava a se estruturar. O que começou como uma oportunidade acabou se transformando em uma carreira de mais de 23 anos.
Antes de empreender, ele passou cerca de 12 anos trabalhando para outra empresa. Nesse período, acumulou experiência em todas as etapas do processo, desde o desenvolvimento de projetos até o contato direto com clientes. Com o tempo, no entanto, percebeu que havia atingido um limite de crescimento. A falta de perspectiva foi o fator decisivo para dar um passo arriscado: abrir o próprio negócio. Assim nasceu a NS Irrigação. A decisão veio em um momento delicado, com filhos pequenos e sem garantia de clientes. Ainda assim, José apostou no que considerava seu maior patrimônio, o conhecimento. Para ele, essa é a única coisa que ninguém pode tirar e o principal diferencial para quem deseja crescer no setor.
Ao longo dos anos, a empresa se consolidou atendendo tanto projetos de irrigação paisagística quanto agrícola. Hoje, José atua diretamente na frente comercial e no relacionamento com clientes, enquanto a execução das obras é feita por equipes terceirizadas. Esse modelo, segundo ele, permite maior controle de custos e mais previsibilidade financeira, especialmente em um mercado que sofre com sazonalidade. A captação de clientes, na sua visão, está diretamente ligada à confiança. Conhecer profundamente o que está sendo vendido é o que sustenta a negociação. Ele acredita que a autoridade técnica transmite segurança e aumenta significativamente as chances de fechamento. Mais do que isso, o pós-venda é considerado essencial. Um cliente satisfeito não apenas retorna, como evita um dos maiores riscos do setor, a reputação negativa.

Na prática, o serviço de irrigação exige muito mais do que instalar equipamentos. José destaca que o maior desafio está na execução, principalmente pela dificuldade em encontrar mão de obra qualificada e pela complexidade de cada projeto. Em regiões como Petrópolis, o relevo acidentado e a presença de microclimas dentro de uma mesma propriedade tornam o trabalho ainda mais técnico. Um dos projetos recentes ilustra bem esse cenário. Mesmo em uma área relativamente pequena, ele precisou lidar com um desnível de cerca de 40 metros de coluna d’água, diferentes níveis de insolação e um solo extremamente rochoso. O sistema exigiu o uso combinado de gotejamento, aspersores e válvulas específicas para controle de pressão e segurança da tubulação. Além disso, ajustes durante a execução foram inevitáveis, já que as condições reais do terreno nem sempre correspondem exatamente ao projeto inicial.




Outro ponto importante no trabalho de José é a gestão da irrigação em conjunto com o paisagismo. Ele destaca que muitas vezes há conflitos entre estética e necessidade hídrica das plantas, o que exige diálogo constante com paisagistas. Quando isso não acontece, o sistema precisa ser adaptado para minimizar problemas, como excesso ou falta de água em determinadas espécies.
Sobre o uso da tecnologia, ele é enfático ao afirmar que hoje é praticamente inviável trabalhar sem um software especializado. O uso do HydroLANDSCAPE transformou sua rotina, reduzindo drasticamente o tempo de elaboração de projetos. O que antes levava até 15 dias pode ser resolvido em poucas horas, com mais precisão e segurança nos cálculos. Além disso, a ferramenta ajuda a evitar erros de dimensionamento que poderiam gerar prejuízos na execução.
Você tinha que imprimir duas ou três plantas, porque sempre acaba errando, né? Ou então fazia uma única planta em A0, e aí precisava de uma mesa gigantesca.
Depois vinha todo o processo: primeiro o cálculo da linha principal, vazão do sistema, temperatura da água… aí perda de carga em cada nó. É muita coisa! Aí entra aquele negócio, né? O famoso “CC”, que a gente chama de "coeficiente de cagaço". Você joga lá pra cima, mas sabe que não está exatamente correto. E nisso você mexe no orçamento, ajusta tudo… é trabalhoso demais! Dependendo do projeto, eram quinze dias desenhando, fazendo, resolvendo. E não é só isso: você precisava, de qualquer forma, ter o projeto, ter acompanhamento, ter tudo, senão ninguém montava. Hoje, com a AUE, cara, se a pessoa souber usar, até quem está ali com o projeto na mão consegue montar. Você já sai com cinco, seis layouts prontos. E envolve tudo: hidráulica, elétrica… fica claro para todo mundo. Só não entende quem realmente não souber ler. Você pega um projeto na Barra da Tijuca, que a gente faz muito por lá: cerca de mil metros quadrados de jardim, às vezes até menos, tudo plano. Em menos de duas horas você já desenvolve o projeto. Aí fica tranquilo, tranquilo.
Ao falar sobre o mercado, José faz um alerta importante. Projetos mal executados não afetam apenas quem os realiza, mas todo o setor. Quando um sistema não funciona corretamente, o cliente tende a desacreditar na irrigação como solução, o que prejudica profissionais que trabalham de forma adequada. Por isso, ele defende maior disseminação de conhecimento técnico e mais responsabilidade na atuação dos profissionais.
Para quem está começando, a orientação é clara. Investir em conhecimento é indispensável. Entender profundamente o produto, cuidar do cliente e assumir responsabilidade pelo serviço são fatores que fazem diferença no longo prazo. Ele também reforça a importância de aprender com erros, tanto próprios quanto de outros profissionais, e de construir uma reputação baseada em consistência.
Depois de mais de duas décadas no setor, José resume sua trajetória como um processo de aprendizado contínuo, marcado por desafios, erros e evolução. Para ele, o sucesso na irrigação não está apenas na técnica, mas na forma como o profissional se posiciona diante do cliente e do próprio trabalho. No fim, é essa combinação que sustenta uma empresa e garante sua permanência no mercado.
No fim das contas, a trajetória de José mostra que não é só sobre instalar sistemas ou entregar projetos, mas sobre construir confiança todos os dias, com conhecimento, responsabilidade e respeito pelo que se faz. Porque é enfrentando os desafios, aprendendo com os erros e valorizando cada conquista que um profissional deixa de apenas trabalhar e passa a construir um nome que permanece, cresce e faz diferença não só na própria vida, mas em todo o mercado ao seu redor.
E aí, você gostou de conhecer essa história? Então aproveite para assistir ao vídeo completo no YouTube ou ouvir a entrevista pelo Spotify, é só clicar nos links abaixo.
Quer conhecer mais o NS Irrigação? acesse:
https://www.nsirrigacaostore.com.br
Tel: (24) 2249-1290
@nsirrigacaoeagropec
Veja também:
Irrigante Alberto Lopez: Uma trajetória construída entre técnica, prática e visão de mercado
Eficiência e Economia: Os Pilares da E2 Irrigação no Paisagismo
Da Hidráulica à Irrigação de Alto Desempenho: A Jornada de Enzo Zanon
Vitor Pedreira: Uma Jornada de Irrigação no Coração do Cerrado
Carlos Alberto Fajardo: Engenharia e Inovação na Irrigação Tecnificada no Chile
De Imperatriz para o Brasil: A trajetória de Alex Silva Souza e a irrigação na fronteira agrícola

Anterior Próximo