Como a Tecnologia Transforma a Irrigação, com o Irrigante Jonathan Alisson
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 14/07/2026
Há cerca de cinco anos no universo da irrigação, Jonathan encontrou na engenharia de projetos um caminho que une técnica, sensibilidade e, sobretudo, paixão pelo que faz. Formado em projetos e hoje projetista hidráulico na Makino, empresa de Bragança Paulista com trinta anos de história no setor, ele carrega no currículo passagens por projetos 3D, SolidWorks e Revit, uma bagagem que o acompanha desde antes de mergulhar de cabeça no mundo dos aspersores, das mangueiras de gotejamento e dos jardins que dependem, silenciosamente, de um bom cálculo hidráulico para sobreviver.
Na Makino, há três anos, Jonathan não é só quem desenha os projetos: ele também ajuda a tocar a parte comercial da empresa, ao lado de um engenheiro agrônomo. Enquanto um se dedica mais ao campo, o outro cuida do projeto, mas, na prática, os dois se revezam, cobrindo as lacunas um do outro sempre que a demanda aperta. É um trabalho de mãos dadas, quase artesanal em sua lógica, mesmo estando hoje apoiado por tecnologia de ponta.
"Eu e mais um engenheiro agrônomo tomamos conta da parte comercial. Eu fico mais na parte do projeto, ele fica mais na parte de campo, mas a gente vai se completando, sempre que há um déficit em alguma área, um cobre o outro. E ter essa ferramenta agilizou bastante a parte comercial: antigamente a gente conseguia atender no dia umas três clientes em média, sem dar retorno cem por cento. Agora a gente consegue atender praticamente nove clientes por dia."
E é justamente aí que mora uma das partes mais marcantes de sua história. Antes de conhecer o plugin de projeto que hoje faz parte da sua rotina, Jonathan viveu, em suas próprias palavras, dois anos "sofrendo na mão". Os projetos eram feitos em AutoCAD, sem o auxílio de nenhuma ferramenta especializada: cada conexão, cada perda de carga, cada quantitativo de peça precisava ser calculado manualmente, em planilhas, na base da atenção redobrada para não deixar nada escapar. Um projeto executivo, nessa época, podia levar de oito a nove dias inteiros para ficar pronto, dias de trabalho braçal, de risco constante de erro, e de um tipo de cansaço que só quem já fez conta de cabeça sabe descrever.
"A gente utilizava AutoCAD. Mas a facilidade do plugin está em você calcular a perda de carga, por exemplo, e o quantitativo, especialmente para o orçamento. A gente trabalha com orçamento e projeto executivo, então, quando tínhamos um orçamento, precisávamos entregar praticamente noventa por cento fechado. Isso era gerado em planilha, na raça mesmo, não tinha essa facilidade do plugin."
A chegada do Hydro mudou essa realidade de forma profunda. Hoje, o mesmo projeto que antes consumia mais de uma semana pode ser otimizado para três ou quatro dias, um ganho de tempo que gira em torno de cinquenta por cento, segundo ele mesmo calcula. Mais do que velocidade, o software trouxe precisão: a listagem de peças, antes um ponto cego cheio de armadilhas, tornou-se confiável, e o cálculo de perda de carga, antes um cálculo tenso feito manualmente, passou a ser automático. Jonathan fala do plugin com o entusiasmo de quem sabe exatamente o que deixou para trás. Para ele, a ferramenta não apenas acelerou o trabalho técnico, mas devolveu tempo, tempo que pôde ser reinvestido no comercial, na capacidade de atender mais clientes, de fechar mais negócios e de errar menos. Se antes a equipe conseguia atender, em média, três clientes por dia, sem dar um retorno completo a todos, hoje esse número salta para quase nove atendimentos diários, com muito mais qualidade em cada um deles.
"(...) pela base do que eu fazia antigamente, a gente costumava demorar em torno de oito, nove dias num projeto executivo. Você tem que calcular tudo na mão, todas as conexões, e isso cai pelo menos cinquenta por cento. De oito dias eu consigo otimizar para três ou quatro, dependendo do que for feito, porque um projeto executivo não demanda só o quantitativo, tem outras questões que precisam ser levantadas em obra. Mas a listagem de peças é uma mão na roda: é cinquenta por cento do tempo que você gastava antes. Isso libera você para outras questões, na parte comercial, dá para atender uma cartela muito maior de clientes em menos tempo. Isso ajudou bastante a gente também."
Mas Jonathan não vê a tecnologia como uma solução isenta de riscos, principalmente quando o assunto é inteligência artificial. Ele reconhece o potencial da IA no setor, mas também alerta, com a franqueza de quem já viu de perto o que pode dar errado: uma inteligência artificial só é tão boa quanto o conhecimento de quem a opera. Ele relembra o caso de uma cliente que, insatisfeita com um projeto de paisagismo, recorreu a uma IA generativa para propor alterações, e recebeu de volta um documento visualmente interessante, mas tecnicamente inutilizável, sem escala, sem padrão, impossível de ser executado. Para Jonathan , esse é o maior perigo da inteligência artificial mal utilizada: ela fala com convicção, "delira" com segurança, e quem não domina o assunto corre o risco de acreditar que aquilo é verdade. É um alerta que ele faz sem soar alarmista, mas com a clareza de quem entende que tecnologia boa é aquela usada com discernimento.
No dia a dia, o trabalho de Jonathan não termina na entrega do projeto. A Makino oferece manutenção periódica aos sistemas que instala, trimestral, mensal ou sob demanda, e ele reconhece nisso mais do que uma estratégia de faturamento: é a construção de um relacionamento contínuo com o cliente, que se traduz, com o tempo, em indicações e em confiança. É também esse acompanhamento que garante que o sistema entregue continue funcionando como deveria, muito depois de a obra ter sido concluída.
"Quando fornecemos um sistema de irrigação, já indicamos ao cliente uma manutenção periódica trimestral, ou trabalhamos com manutenção fixa, independente de ser paisagismo ou setor agrícola. Pode ser manutenção mensal, com contrato de duas vezes ao mês (de quinze em quinze dias), ou manutenção esporádica, só quando dá problema. Isso vem funcionando bastante e inclusive ajuda a aumentar a cartela de clientes: a manutenção começa aos poucos e vai crescendo, é um investimento a longo prazo."
Entre irrigação paisagística e agrícola, Jonathan transita com desenvoltura, ainda que reconheça as diferenças entre as duas frentes. O paisagismo, mais fluido em sua experiência, trabalha com dezenas de aspersores; o agrícola, com milhares, e exige um dimensionamento mais denso, mais técnico, como ele mesmo descreve. Na Makino, o cenário se inverteu ao longo dos últimos trinta anos: o que começou como um negócio voltado quase exclusivamente ao setor agrícola, impulsionado pelas fazendas da região de Bragança Paulista, hoje é dominado, em quase noventa por cento, pela irrigação de paisagismo, reflexo do "boom" de condomínios e da valorização estética que a arquitetura e o urbanismo passaram a dar aos jardins.
"Isso passou por uma certa alteração conforme o tempo foi passando. No começo, como falei, era mais aplicado ao setor agrícola, sem sombra de dúvida, foi o nicho agrícola que deu o start para a empresa nesse setor, não o paisagismo. Conforme o tempo foi passando, a gente conseguiu entrar em condomínios, fazer contatos com construtoras e engenharias, e isso mudou o cenário. Atualmente, sem sombra de dúvida, é o paisagismo que domina praticamente noventa por cento da nossa operação."
Sobre o mercado de irrigação como um todo, Jonathan enxerga um cenário aquecido, mas ainda repleto de desafios. O maior deles, na sua visão, é compatibilizar valores: convencer o cliente de que um sistema de irrigação de qualidade tem um custo justo, e que a economia de curto prazo pode significar prejuízo real no futuro, plantas que morrem, obras que precisam ser refeitas, dinheiro jogado fora por falta de planejamento. Educar o cliente, para ele, não é apenas uma etapa comercial: é uma responsabilidade profissional, ainda mais numa época em que a atenção das pessoas está cada vez mais dividida entre redes sociais e vídeos curtos, tornando a arte de explicar algo complexo, de forma simples e rápida, um verdadeiro exercício diário.
"Na minha visão, pelo menos aqui no projeto, o maior desafio é compatibilizar os valores. A gente encontra bastante gente no mercado que tem a concepção de que um sistema de irrigação (ou até um paisagismo) é algo muito simples, acessível, barato. Não que seja fora do alcance de todo mundo, mas às vezes a pessoa tem a impressão de que é algo barato, simples e fácil de instalar, e não é. Num terreno de três mil metros, com pelo menos uns mil e setecentos metros quadrados de irrigação, você vai gastar um valor X, vai ter uma mão de obra, e às vezes a pessoa acha que isso custa uns cinco mil reais. Já aconteceu de o cliente falar "ah, isso é barato, uns cinco mil você faz". E não é. Então é preciso ter e passar essa mentalidade para o cliente: ele vai investir, mas vai ter um serviço de boa qualidade. Acho que ainda é um desafio mostrar por que um sistema de irrigação ou uma aplicação de paisagismo custa esse valor."
Para quem sonha em ingressar nesse universo, o conselho de Jonathan é direto: buscar conhecimento sem parar. Fóruns especializados, cursos online, ele cita a Udemy como referência, e, sempre que possível, treinamentos com profissionais que já vivem a rotina do setor, seja de marcas reconhecidas como Hunter ou Tigre, seja no contato direto, "tête-à-tête", que considera insubstituível. Para ele, é na prática, com alguém experiente ao lado, que o aprendizado realmente se consolida, embora reconheça que, mesmo sem essa companhia, a dedicação e a vontade de aprender também abrem caminho.
"Os fóruns são essenciais, cruciais. E alguns cursos online, como na plataforma Udemy, onde você encontra muito conteúdo e treinamento de gente da área. Às vezes a gente também tem treinamento com o pessoal da Hunter ou da Tigre, já fizemos alguns treinamentos com eles. Buscar quem já está na área dá um ganho maior, porque você conversa direto com um profissional e recebe as coisas já mais "mastigadas", mais fluidas. Mas a gente costuma treinar sempre indicando as mídias online e o treinamento "tête-à-tête" pessoalmente"
Entre os projetos que já assinou, um em especial carrega um significado particular para Jonathan: a instalação executada no bairro Jardim Paulistano, em São Paulo, em parceria com o paisagista Rodrigo Oliveira. Tratava-se de uma residência do cliente Daniel, com um jardim de aproximadamente seiscentos metros quadrados, um espaço relativamente pequeno para os padrões que Jonathan costuma projetar, mas que exigiu um cuidado técnico apurado. O projeto foi dividido em seis setores, pensados estrategicamente para equilibrar áreas de sombra e sol, driblar passarelas e zonas de difícil acesso, e garantir que a vazão fosse distribuída de forma equivalente entre todos eles. Na área de vegetação mais alta, a equipe utilizou mangueiras de gotejamento; no gramado, aspersores, cada sistema comandado de forma independente, para que nada fosse desperdiçado nem deixado ao acaso. Por se tratar de uma área urbana com pressão de rede limitada, optou-se por um sistema motorizado com cisterna, garantindo estabilidade mesmo em períodos de maior consumo de água na região. O resultado foi uma obra simples na aparência, mas eficiente na essência: barata, bem distribuída e funcional, um retrato, em pequena escala, de tudo o que Jonathan defende sobre fazer irrigação com responsabilidade.





Ao olhar para quem está começando, Jonathan não escapa de fazer as pazes com o erro. Para ele, "quebrar a cara" faz parte do processo, e ninguém escapa disso: o que importa é o empenho, a vontade de continuar mesmo depois de errar, e, sempre que possível, começar ao lado de alguém mais experiente, capaz de ensinar na prática o que nenhum curso online consegue transmitir sozinho. É um conselho que carrega, nas entrelinhas, a própria trajetória dele: alguém que trocou o cansaço da régua e do papel pela fluidez da tela, sem nunca perder de vista que, por trás de cada aspersor, de cada setor bem calculado, existe um jardim, e uma vida, que dependem daquele trabalho para florescer.
"O primeiro aprendizado é: procure certificações, procure conhecimento, use o que a internet tem de melhor, que são os fóruns especializados. Use isso a seu favor para aprender, e vá sem medo, vai quebrar a cara, isso é normal. Todo mundo que começa nesse meio vai quebrar a cara, vai ter alguns vieses corrigidos ao longo do caminho, mas dá certo no final. Demora, depende do seu empenho, se você tiver "sangue no olho" querendo aprender, você aprende. Acredito que, com conhecimento do ambiente, em pelo menos seis meses você consegue desenvolver um projeto. Não sei se vai funcionar de primeira, mas vai conseguir desenvolver."
No fim, a história de Jonathan é também a história de um setor em transformação: entre o peso da tradição e a promessa da tecnologia, entre o cuidado técnico e o afeto por ver um jardim nascer certo, ele segue representando bem aquilo que a irrigação, quando feita com seriedade, sempre foi, um trabalho invisível aos olhos de quem passa, mas essencial para quem vive dentro dele.
Assista ao vídeo completo no YouTube:
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