Os Detalhes de Um Projeto de Irrigação de Sucesso, com o irrigante Elvis Fernandes
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 28/05/2026Em um mercado cada vez mais exigente e voltado à sustentabilidade, a irrigação paisagística tem se consolidado como uma área de grande importância para o desenvolvimento de empreendimentos modernos. Em Florianópolis (SC), o engenheiro Elvis Fernandes acompanha de perto essa evolução. Integrante do Grupo Le Nôtre, empresa especializada em paisagismo, irrigação, execução de obras e manutenção, ele encontrou na irrigação uma carreira que jamais imaginou seguir, mas que hoje considera uma das mais promissoras do setor.
Formado em Engenharia Eletrônica, Elvis não tinha planos de atuar com irrigação durante a faculdade. A oportunidade surgiu nos últimos períodos da graduação, quando ingressou no Grupo Le Nôtre como estagiário. O que começou como uma experiência profissional acabou se transformando em uma carreira sólida. Após a conclusão do curso, foi contratado pela empresa e passou a atuar diretamente no desenvolvimento de projetos de irrigação paisagística.
"A área da engenharia é uma área muito ampla. A gente pode acabar trabalhando em diversos setores. Durante a graduação, acho que na oitava ou nona fase, surgiu a oportunidade de fazer um estágio aqui na empresa. Eu não pensava em trabalhar com irrigação, nem sonhava com isso, porque sou engenheiro eletrônico, então a irrigação está mais ligada à engenharia agronômica. Mas, como eu disse, engenharia é uma área muito ampla e a gente não sabe onde pode parar. Graças a Deus, estou trabalhando com irrigação, que é uma área em crescimento e muito importante. Entrei aqui como estagiário e, no ano passado, me formei em engenharia e fui contratado pela empresa."
Irrigação integrada ao paisagismo
O Grupo Le Nôtre atua exclusivamente com irrigação voltada ao paisagismo. Todos os projetos desenvolvidos pela equipe têm como base os projetos paisagísticos elaborados pela própria empresa, garantindo que a irrigação seja planejada de acordo com as necessidades específicas de cada jardim.
Para Elvis, essa integração entre paisagismo e irrigação é um dos diferenciais do trabalho realizado pela empresa. Cada espécie vegetal recebe a quantidade adequada de água por meio do emissor mais indicado, seja ele aspersor, gotejador ou borbulhador.
O mercado na região Sul tem apresentado crescimento constante. Segundo ele, cidades como Balneário Camboriú, Porto Belo e Florianópolis vivem um momento de forte expansão imobiliária, impulsionando a demanda por projetos cada vez mais sofisticados.
"A gente nunca fica sem projeto. Muito pelo contrário. A demanda é bastante alta e os empreendimentos estão buscando soluções cada vez mais completas", afirma.
Vendas consultivas e contato direto com o cliente
Além da parte técnica, Elvis participa ativamente das conversas com os clientes durante todas as etapas dos projetos. Desde a definição das premissas iniciais até os ajustes necessários durante o desenvolvimento, o contato é constante. Segundo ele, a venda acontece de forma consultiva, sempre buscando alinhar as expectativas do cliente às melhores soluções técnicas disponíveis.
"A gente tem liberdade de sempre buscar o melhor custo-benefício. Por exemplo, para uma área de forração, posso usar tubo gotejador, mas utilizando aspersores ficaria melhor e mais barato. Se no térreo eu tenho uma região muito grande com muitos canteiros, posso distribuir as válvulas por essas regiões em vez de concentrá-las num lugar só, assim economizo nos tubos de PVC. Deixar tudo concentrado pode parecer mais fácil para a manutenção depois, mas, na prática, manutenção é bem rara. Os produtos que a gente usa (maioria da Rain Bird) é muito raro de dar problema. Então a gente sempre busca o melhor custo-benefício. Claro que, se o cliente pede para ficar tudo num lugar só, a gente faz como ele precisa. Mas é tudo conversado, alinhado às premissas do cliente e à viabilidade técnica do projeto."
Essa proximidade ajuda a transmitir segurança e confiança, elementos fundamentais em projetos que envolvem infraestrutura, sustentabilidade e investimentos significativos.
O primeiro contato com o HydroLANDSCAPE
Quando entrou para o Grupo Le Nôtre, o HydroLANDSCAPE já fazia parte da rotina da empresa. Desde os primeiros projetos, Elvis percebeu o impacto que o software tinha na produtividade e na organização do trabalho. Hoje, ele considera a ferramenta indispensável.
"O HydroLANDSCAPE é uma ferramenta que a gente usa todo dia, é indispensável. Ela realmente padroniza o projeto. Por exemplo, se é uma área muito grande de forração, utilizamos aspersores, e esses aspersores serão os mesmos para outros projetos. Além disso, a ferramenta fornece os quantitativos que a gente precisa, e as tabelas geradas pelo Hydro Landscape a gente acaba utilizando como padrão, sempre as mesmas colunas, as mesmas nomenclaturas: motobombas, controladores, emissores, tubos. As cores também. A gente busca padronizar tudo. Na hora em que a gente dimensiona o circuito e passa essa informação para o software, ele permite que a gente aplique esse dimensionamento sempre no mesmo padrão, o que é bastante importante."
A padronização é um dos aspectos mais valorizados pelo engenheiro. Como vários profissionais atuam simultaneamente em diferentes projetos, é fundamental que todos utilizem a mesma linguagem técnica. As cores das tubulações, os dimensionamentos, os setores de irrigação e os quantitativos seguem um padrão que permite que qualquer integrante da equipe compreenda rapidamente um projeto desenvolvido por outro profissional.
Mais velocidade, menos retrabalho
Entre as principais facilidades oferecidas pelo HydroLANDSCAPE, Elvis destaca os cálculos automáticos de vazão, pressão e dimensionamento das tubulações. Enquanto um projeto desenvolvido manualmente exigiria inúmeras planilhas, cálculos repetitivos e revisões constantes, o software automatiza boa parte desse processo. Segundo ele, um projeto elaborado manualmente pode demandar até cinco vezes mais tempo.
"Pensa numa coisa simples, nada muito complexo. Demoraria umas cinco vezes mais tempo, com certeza. Se for um terreno muito grande, talvez fosse até inviável fazer na mão. Ficaria tão caro que não compensaria o serviço. Porque ali entram as perdas de carga, que são inclusas nos cálculos. Seria muito, muito tempo. Na verdade, acho que antes de adquirirem o Hydro aqui (eu não estava na empresa naquela época), tudo era feito na mão. Devia ser muito difícil. Com certeza, quando adquiriram o software, foi uma mão na roda para quem projetava."
O HydroLANDSCAPE elimina grande parte do processo repetitivo. Sempre que ajustes são necessários, o software atualiza cálculos, quantitativos e dimensionamentos com muito mais rapidez, reduzindo o retrabalho e permitindo que a equipe dedique mais tempo à análise técnica e às soluções de engenharia. O resultado é uma rotina mais produtiva e capaz de atender a uma demanda crescente de projetos sem abrir mão da qualidade.
Como nasce um projeto de irrigação
O processo começa sempre a partir do projeto paisagístico. A equipe analisa a distribuição das espécies vegetais, calcula as áreas irrigadas e considera fatores climáticos e de insolação. Com base nessas informações, define-se a necessidade hídrica de cada setor. A partir daí, são escolhidos os emissores mais adequados para cada situação. Forrações normalmente recebem aspersores. Arbustos costumam ser irrigados por gotejamento. Árvores e vasos podem receber borbulhadores. Tudo é calculado para garantir eficiência hídrica e desenvolvimento saudável das plantas. Outro aspecto essencial é a setorização, etapa em que áreas com características semelhantes são agrupadas para receber irrigação de forma independente.
"Toda planta que a gente pega, a gente tem o norte geográfico do projeto. Baseado nesse norte, a gente faz a setorização. A gente busca separar os setores por insolação. Por exemplo, uma região que recebe sol de manhã num determinado horário, a gente cria um setor para ela. Conforme o sol muda ao longo do dia, ele diminui a insolação nessa área e vai para outra região. Então teríamos, por exemplo, um setor na região Norte e outro na região Sul, onde cada válvula seria acionada conforme o nível de insolação daquele momento. A posição solar tem que ser considerada no projeto. E aí vem a setorização bem feita, que é exatamente o que o Hydro fornece para a gente"
Um empreendimento de grande porte como exemplo
Entre os diversos projetos desenvolvidos por Elvis, um dos mais marcantes foi o sistema de irrigação do Porto Belo Tênis Resort, em Porto Belo (SC).
O empreendimento exigiu uma infraestrutura complexa, dividida em dois sistemas independentes de irrigação. A água é captada diretamente de um lago, passa por filtros, motobombas e sistemas de fertirrigação antes de ser distribuída para as áreas verdes. O projeto conta com aproximadamente 80 setores de irrigação, distribuídos entre os sistemas A e B, além de mais de 800 emissores espalhados pelo condomínio.
Toda a documentação gerada ultrapassou 40 pranchas técnicas, contemplando desde a infraestrutura hidráulica até a distribuição detalhada dos emissores. Segundo Elvis, executar um trabalho dessa dimensão sem o auxílio do HydroLANDSCAPE seria praticamente impossível.
"Quarenta e quatro setores no sistema A. E no sistema B ficaram trinta e seis. Se eu tivesse que fazer tudo isso na mão, em um empreendimento desse tamanho, seria totalmente inviável."
Além da irrigação, o projeto precisou ser compatibilizado com diversas outras disciplinas, como iluminação, drenagem, instalações elétricas e infraestrutura predial, aumentando ainda mais sua complexidade.
Conselhos para quem está começando
Para os novos profissionais, a principal recomendação é buscar conhecimento e não tomar decisões sem embasamento técnico. Estudar catálogos de fabricantes, assistir a vídeos de execução, aprender a interpretar projetos e dominar ferramentas especializadas são passos fundamentais. Mas, acima de tudo, ele destaca duas características que considera indispensáveis: paciência e capricho.
"Saber onde buscar as informações nos catálogos (os catálogos da Rain Bird, principalmente, são muito bons). Não tomar nenhuma decisão sem embasamento: sempre saber por que está usando determinado produto. Ver bastante vídeos na internet de pessoas que executam bem. Utilizar sempre que possível os softwares. Caprichar no detalhamento do projeto. Entender bem a setorização, isso é muito importante. Não adianta simplesmente distribuir aspersores ou gotejadores de forma inadequada; tem que saber a quantidade certa de água que está chegando em cada local.
Saber onde localizar a área técnica é essencial, ela tem que estar bem definida, porque é a origem do sistema. Saber também de onde vem a água e tentar sempre posicionar as motobombas perto dessa origem, por causa do limite de distância de sucção. E trabalhar bastante. O capricho e a paciência são essenciais nesse tipo de trabalho. Não adianta fazer as coisas por fazer, tem que ter certeza. Porque depois, se for mal projetado, arrumar é muito pior.
Às vezes também é importante pedir a opinião de outras pessoas: "Você faria assim? Do jeito que eu fiz, você concorda?" Sempre conversando e mostrando o trabalho para outros. E saber escutar o cliente, saber como conversar com ele, definir bem as premissas, deixar o cliente seguro de que o trabalho está sendo bem feito.
Estudar bastante e trabalhar com calma e sabedoria, as coisas vão dar certo."
Uma lição construída ao longo de quase duzentos projetos e que resume bem a essência de uma profissão onde técnica, planejamento e cuidado caminham lado a lado para transformar espaços verdes em ambientes mais sustentáveis e duradouros.
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