O Que Ninguém Conta Sobre Trabalhar com Irrigação, com o irrigante Lucas Lazzarotto
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 17/04/2026Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o engenheiro mecatrônico Lucas Lazzarotto construiu uma trajetória que não se explica apenas por números, obras ou projetos entregues. Há, em seu caminho, uma combinação de curiosidade técnica, persistência e uma relação quase intuitiva com aquilo que faz. À frente da Action Man Serviços de Engenharia, ele encontrou na irrigação paisagística mais do que uma área de atuação. Encontrou um espaço onde conhecimento, prática e propósito caminham juntos.

Sua história começa ainda nos corredores da universidade. Em 2006, durante a graduação, Lucas decidiu, ao lado de um colega, transformar uma ideia simples em realidade. Nascia ali a Prosper, uma empresa pequena, construída com os recursos que havia à disposição na época: projetos feitos à mão, orçamentos elaborados de forma básica e um aprendizado que acontecia no dia a dia, entre tentativas, erros e acertos. Era um início modesto, mas carregado de significado, daqueles que deixam marcas profundas em quem escolhe seguir em frente.
Com o tempo, a sociedade se encerrou e Lucas seguiu sozinho até 2010. Depois disso, veio um período de afastamento da área, mas não de ruptura. A experiência com automação e o contato com o mercado mantiveram viva a conexão com a tecnologia e com a lógica dos sistemas. Em 2019, já com outra bagagem, ele decidiu recomeçar. Fundou a Action Man Serviços de Engenharia com foco em soluções sustentáveis, atuando com irrigação, energia solar e aquecimento solar, abrindo novas possibilidades e retomando, de certa forma, um caminho que nunca havia sido completamente deixado para trás.
Foi o próprio mercado, no entanto, que conduziu o rumo da empresa. Entre 2021 e 2022, a irrigação começou a crescer de forma consistente dentro da operação, trazendo demandas mais complexas, obras maiores e a necessidade de uma estrutura mais robusta. Sem que houvesse uma ruptura definitiva com as outras áreas, a empresa passou a concentrar a maior parte de seus esforços na irrigação paisagística, que hoje representa o núcleo principal do trabalho desenvolvido por Lucas e sua equipe.

Atualmente, sua atuação está fortemente ligada a projetos e obras em condomínios de médio e grande porte, um universo que exige não apenas conhecimento técnico, mas também paciência, organização e capacidade de adaptação. São obras longas, com diferentes etapas, interferências de outras disciplinas e decisões que nem sempre acontecem no tempo ideal. É um ambiente onde a técnica precisa conviver com a imprevisibilidade, e onde a experiência faz diferença.
No Sul do Brasil, esse trabalho ganha contornos particulares. O inverno úmido cria uma sensação de segurança que, muitas vezes, mascara a real necessidade de sistemas de irrigação. Os jardins se mantêm, as plantas resistem e a irrigação parece dispensável. Mas é no verão, com o sol intenso e a irregularidade das chuvas, que essa percepção muda. O que antes parecia suficiente deixa de ser, e o impacto no paisagismo se torna evidente. Ainda que existam situações em que é possível manter áreas verdes sem irrigação automatizada, elas são cada vez mais específicas e limitadas diante das exigências atuais.
Nesse cenário, a irrigação automatizada se apresenta não apenas como uma solução técnica, mas como uma forma de garantir estabilidade e previsibilidade. Sistemas modernos permitem controlar com precisão o fornecimento de água, adaptando-se às condições climáticas e reduzindo desperdícios. Mais do que isso, oferecem algo difícil de alcançar manualmente: constância. E, no cuidado com plantas, constância é o que sustenta a beleza ao longo do tempo.
Quando essa base técnica não está presente, o custo aparece, ainda que de forma silenciosa no início. Projetos mal dimensionados, executados sem conhecimento adequado, tendem a acumular problemas. Vazamentos, falhas de cobertura e improvisações acabam comprometendo o sistema como um todo. Quando a solução chega, muitas vezes já é tarde para intervenções simples. O que poderia ter sido resolvido com planejamento passa a exigir correções mais complexas e mais caras.

Dentro dessa realidade, Lucas também assume um papel importante na forma como o serviço é apresentado ao cliente. Ele próprio conduz as vendas, estabelecendo uma relação direta e transparente. Sua abordagem não se baseia em discursos técnicos excessivos, mas na clareza. Ao mostrar, no próprio projeto, onde podem surgir falhas e como evitá-las, ele transforma a decisão em algo concreto, visível. É nesse ponto que a técnica encontra a comunicação.
A virada em sua forma de trabalhar ganhou força em 2020, durante a pandemia. Foi nesse período que Lucas encontrou o HydroLANDSCAPE, ao buscar uma ferramenta que acompanhasse a evolução dos seus projetos. O fato de ser um software nacional teve peso na decisão. A escolha não foi apenas técnica, mas também alinhada a uma valorização do que é desenvolvido no país.
A adaptação do software HydroLANDSCAPE aconteceu de forma progressiva. Mesmo com experiência anterior em CAD, a especificidade da irrigação trouxe novos desafios. Aos poucos, com o uso contínuo, suporte técnico e dedicação, o domínio da ferramenta foi se consolidando. Mais do que aprender um software, foi um processo de evolução profissional.
“Sobre o HydroLANDSCAPE, eu estava fazendo os projetos à mão, tudo em CADs gratuitos, e vi a necessidade de ter uma biblioteca. Aí comecei a pesquisar no Google. Já era 2020, época da pandemia, lockdown total, e foi assim que encontrei a empresa de vocês. Pelo fato de ser nacional também, e por eu ser totalmente a favor do que é nosso, do Brasil, entrei em contato com a equipe comercial. Baixamos, instalamos no CAD, comprei a licença e estamos trabalhando desde então. Já vai fazer seis anos. (...) Comecei a usar e, claro, sempre existem algumas dificuldades, mas qualquer orçamento que eu fazia já colocava no software e depois aplicava na prática, e dava certinho. Na dimensão da tubulação, por exemplo, eu ficava em dúvida: ‘Será que uso tubo 20 ou 25?’. Aí ele me indicava: ‘Aqui usa 32’. E dava certo. Então, saindo do software, fechando a obra e aplicando na prática, eu só tenho elogios.”
Os resultados vieram de forma clara. O tempo de desenvolvimento dos projetos foi significativamente reduzido, chegando a cair pela metade em muitos casos. Aquilo que antes era feito manualmente, com revisões constantes e retrabalho, passou a ter mais precisão e agilidade. Com isso, Lucas também passou a assumir projetos maiores, ampliando seus limites de atuação.
“Hoje, usando o Hydro, eu posso dizer que o tempo para fazer um projeto diminuiu pela metade. Desenhar à mão era muito mais devagar, porque tinha que apagar, recalcular… então o processo todo levava bem mais tempo. Além de ganhar praticamente o dobro de produtividade, hoje eu também consigo fazer projetos maiores, que antes eu nem pegava. Eu até passava essas obras para o distribuidor, porque pensava: ‘Cara, isso aqui eu não tenho capacidade de fazer’. Isso lá em 2006, 2007, quando eu tinha meus vinte anos. Agora, com o Hydro, faço obras grandes tranquilamente. Tem projeto com quarenta e oito setores, outros com vinte ou trinta setores sendo executados. Se fosse na mão, eu não conseguiria fazer, porque fica complexo demais para controlar. Em projetos pequenos até vai, mas, nos maiores, além de exigir muito mais técnica, ainda precisaria de toda uma estrutura de desenho técnico, e isso acaba ficando caro no final das contas.”
Outro ponto importante está nos quantitativos. A capacidade de gerar listas mais próximas da realidade trouxe mais segurança no planejamento e na execução das obras. Ainda assim, a experiência de campo segue sendo essencial, especialmente em projetos prediais, onde a realidade da obra nem sempre segue exatamente o que foi planejado.
“Aí, com o tempo, eu vi a necessidade de me aprimorar, porque a ferramenta tem muitas opções. O CalcLANDSCAPE, o cálculo de conexões… então fui agregando isso aos poucos. E ainda tem bastante coisa da ferramenta de vocês que eu tenho para explorar."
O mercado, por sua vez, ainda apresenta espaço para crescimento. Em Porto Alegre, são poucas as empresas estruturadas para atender obras de maior porte, o que indica oportunidades para quem busca atuar com qualidade e consistência. Ao mesmo tempo, esse cenário exige responsabilidade na formação de novos profissionais e no desenvolvimento do setor.
As tendências apontam para um futuro promissor. A irrigação de áreas públicas, campos esportivos e o uso de água da chuva surgem como caminhos naturais dentro de um contexto que valoriza sustentabilidade e eficiência. Mais do que acompanhar essas mudanças, Lucas demonstra interesse em participar ativamente delas.

Entre os projetos em desenvolvimento, um deles traduz bem esse momento. Lucas apresentou um projeto de irrigação para um novo condomínio que inclui sistema de aspersores no térreo e no quarto pavimento, gotejamento enterrado para gramados e áreas de lazer, e sistema de aspersores rotativos para quadra de beach tennis. O projeto ainda está em fase de anteprojeto e inclui sistema automatizado com motobomba e controladores, com infraestrutura sendo desenvolvida para os diferentes níveis do edifício. É um exemplo de como técnica, planejamento e visão de futuro se encontram em um mesmo projeto.




Por trás de tudo isso, existe uma ciência que nem sempre é percebida. A irrigação vai além do ato de molhar. Envolve cálculo, escolha de equipamentos, leitura de ambiente e entendimento das necessidades de cada planta. É um trabalho que exige precisão, mas também sensibilidade para interpretar o espaço e suas demandas.
Para quem está começando, Lucas reforça a importância de não caminhar sozinho. Buscar parcerias, aprender com quem já atua no mercado e construir uma rede de apoio são passos fundamentais para crescer com consistência.
É interessante entrar em contato com fornecedores de materiais que já têm certa expertise no no mercado. Se para auxiliar na elaboração da lista de materiais para depois a pessoal tem cliente. Eu queria fazer uma ligação a pessoa ter esse interesse em formar uma rede de parceiros ou pelo menos num distribuidor ou até quem faz o projeto começar a trabalhar juntos. Para a pessoa também ter um um, digamos, como é que podemos dizer um parceiro que possa apoiar a pessoa, não entrar numa furada, né? Começar a ter essa troca de ideia, porque o mercado tem para todo mundo. Então, acredito que é interessante buscar empresas parceiras, assim como eu fiz quando eu comecei. Eu fui atrás de empresas já renomadas aí para começar a desenvolver. (...) É um mercado pouco explorado e acredito que até que no Sul tem. Dá para explorar muito mais. O mercado aí que pode não tá em ascensão nem pouco assim, tá? Tá, Ainda assim, bem dormente. Ainda pode ter muito mais aí. Ah, no, no nosso, no nosso. As cidades em si. tem espaço para todo mundo, tem espaço para todo mundo, para desenvolver e levar a irrigação. Nosso. Nosso papel agora é compartilhar. Quem me ajudou lá atrás? Agora meu papel é ajudar quem tá vindo. Então tivemos que nos apoiar no que precisar para fechar uma obra, começar, atuar e ter um poder viver de irrigação.
E, diante de tudo isso, a pergunta se impõe: vale a pena ser irrigante? Para ele, a resposta não está apenas no potencial de mercado, mas na construção de uma carreira sólida, em um setor que ainda tem muito a evoluir.
Ao olhar para trás, Lucas reconhece que não chegou até aqui sozinho. Aprendeu com profissionais experientes, com o dia a dia das obras e com cada desafio enfrentado ao longo do caminho. Hoje, carrega consigo a convicção de que esse conhecimento precisa continuar circulando. Por isso, se coloca disponível para quem está começando, disposto a orientar, compartilhar e contribuir. Em um mercado em crescimento, essa troca deixa de ser apenas um gesto e passa a ser parte essencial do próprio desenvolvimento coletivo.
No fim, entre projetos e jardins que ganham vida, Lucas segue cultivando mais do que soluções técnicas, cultivando caminhos e compartilhando conhecimento, porque acredita que é assim que um mercado cresce de forma sólida e duradoura.
Quer entrar em contato ou conhecer mais sobre a empresa do Lucas?
Acesse o site: https://sites.google.com/view/actionmanengenharia
Instagram: actionmanengenharia
Email: ldplazarotto@gmail.com
Whatsapp: (51) 9 9239-3299
Assista à entrevista completa:
Ouça o episódio no spotify
Veja também:
Conhecimento e coragem: a trajetória de José Hilário Cordeiro Neto na irrigação
Irrigante Alberto Lopez: Uma trajetória construída entre técnica, prática e visão de mercado
Da Perdomo Garden à Hydro Soluções: A Nova Jornada de Benito
Retrospectiva 2025: Uma Jornada de Hidráulica, Inovação e Sustentabilidade
Mateus Libarino Lidera a Revolução da Irrigação de Paisagismo no Litoral Gaúcho
Eficiência e Economia: Os Pilares da E2 Irrigação no Paisagismo

Anterior Próximo