Irrigante Alberto Lopez: Uma trajetória construída entre técnica, prática e visão de mercado
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 22/01/2026
Alberto Lopez não chegou à irrigação por acaso, mas também não seguiu um caminho convencional. Sua entrada no setor aconteceu a partir do domínio do AutoCAD. Foi por meio do desenho técnico que ele conquistou espaço em sua primeira empresa de irrigação, em uma época em que softwares específicos ainda não faziam parte da rotina do mercado.

Os projetos eram desenvolvidos com cálculos manuais, planilhas e muita experiência prática. Esse cenário exigia atenção extrema aos detalhes e um entendimento profundo do funcionamento hidráulico dos sistemas. Desde o início da carreira, Alberto teve contato direto com diferentes etapas do trabalho, o que contribuiu para a construção de uma visão ampla sobre projeto, execução e relacionamento com clientes.
Com o passar dos anos, essa combinação entre conhecimento técnico e comunicação clara se consolidou como um diferencial profissional. Atualmente, na Agrolink, Alberto atua principalmente no relacionamento com clientes e parceiros, coordenando projetos de irrigação voltados ao paisagismo e dialogando diretamente com paisagistas, arquitetos e equipes técnicas. Mesmo com foco comercial, o vínculo com o projeto permanece presente no dia a dia.
“A primeira empresa de irrigação que eu trabalhei precisava de uma pessoa que dominasse bem o AutoCAD pra fazer projetos. A gente fazia toda a irrigação na unha mesmo, utilizando AutoCAD.”
Projetar sem ferramentas digitais: possível, mas não comparável
A trajetória de Alberto acompanha uma transformação significativa no setor de irrigação: a transição dos cálculos manuais para o uso de softwares especializados. Ele reconhece que projetos bem executados sempre existiram, mesmo antes da tecnologia digital, mas ressalta que o tempo e o esforço exigidos tornaram esse modelo cada vez menos viável diante das demandas atuais do mercado. Planilhas hidráulicas, cálculos de perda de carga e desenhos manuais garantiam precisão técnica, porém consumiam muitas horas de trabalho. Com a evolução dos projetos paisagísticos e a necessidade de maior agilidade, os softwares passaram a ocupar um papel central no cotidiano dos profissionais.
“Na parte agrícola, a gente fazia tudo. Existiam todas as planilhas de cálculo, perda de carga, tudo o que é usado. Claro que demorava bem mais, porque era tudo feito no AutoCAD cru. Mas saía. Era tudo feito na unha mesmo, com os cálculos e com uma precisão, vamos dizer, bem bacana. Só que, lógico, não dá pra comparar com o tempo quando você usa um software dedicado pra isso.”
A entrada do HydroLANDSCAPE e a adaptação da equipe
A adoção do HydroLANDSCAPE na Agrolink representou um movimento estratégico de atualização tecnológica. Até então, a equipe trabalhava há muitos anos com outro software, já descontinuado, o que tornava a mudança necessária não apenas por inovação, mas também por continuidade e segurança dos processos. Essa transição exigiu um período de adaptação. Como toda ferramenta técnica, o novo software trouxe uma lógica diferente de trabalho, novas possibilidades e a necessidade de reaprender fluxos já consolidados. Segundo Alberto, esse tipo de ajuste é natural sempre que há mudança de tecnologia.
“Tudo que você muda encontra resistência. As pessoas estavam habituadas a trabalhar na zona de conforto.”
Com o uso diário, o HydroLANDSCAPE passou a ser incorporado à rotina da equipe. A familiaridade com a ferramenta trouxe mais fluidez, confiança e agilidade na elaboração dos projetos.
“À medida que você vai utilizando diariamente, você acaba ganhando intimidade com o programa e vai quebrando as resistências.”
O papel do projetista continua sendo essencial
Apesar dos ganhos proporcionados pelo software, Alberto reforça que nenhuma ferramenta substitui o conhecimento técnico. O HydroLANDSCAPE auxilia nos cálculos, organiza informações e apresenta soluções iniciais, mas a responsabilidade final continua sendo do projetista. Avaliar criticamente o que o software propõe faz parte do processo e garante a qualidade do sistema implantado. Em muitos casos, as soluções sugeridas precisam ser ajustadas para atender melhor à realidade do terreno, à viabilidade de execução ou à estética do paisagismo.
“Ele dá aquela primeira solução. Mas é justamente pra você criticar.”
Ganho de tempo e precisão no paisagismo
No paisagismo, os benefícios do uso de softwares especializados se tornam ainda mais evidentes. Jardins apresentam geometrias complexas, diferentes espécies vegetais, áreas de sol e sombra e diversas interferências arquitetônicas, o que exige setorização cuidadosa e decisões técnicas bem fundamentadas. Cada ajuste manual demanda tempo, e é justamente nesse ponto que a tecnologia faz diferença. Segundo Alberto, a economia de tempo proporcionada pelo uso do software é concreta e facilmente percebida na rotina profissional. Ele explica que tarefas que antes exigiam horas de cálculo, conferência e redesenho passam a ser resolvidas de forma muito mais ágil, sem perda de precisão.
“A diferença pode chegar a um dia, um dia e meio. Depende. Depende da performance de quem está fazendo e do conhecimento também. Mas, no fim das contas, é vantajoso sim, não tem dúvida. Tanto que hoje a gente trabalha com software.”
Esse ganho de tempo permite assumir mais projetos, revisar soluções com mais calma e dedicar atenção a etapas estratégicas, como compatibilização, apresentação e relacionamento com o cliente.
Preço x valor: um desafio constante no mercado
Mesmo com toda a evolução técnica, vender irrigação continua sendo um desafio. Muitos clientes não possuem conhecimento suficiente para avaliar tecnicamente um sistema, o que torna a comparação entre propostas difícil. Nessas situações, o preço acaba sendo o principal critério de decisão, mesmo quando os projetos não são equivalentes.
“O cliente não sabe qual dos dois está correto. Então o primeiro critério que ele usa é o preço.”
Para reduzir esse problema, a Agrolink passou a priorizar o diálogo antes do envio de qualquer orçamento, explicando o projeto e os critérios técnicos adotados.
“A gente não autoriza mais o envio de orçamento sem conversar com o cliente.”
Projeto, orçamento e contrato caminham juntos
Para Alberto, não existe irrigação bem executada sem projeto, e é a partir dele que orçamento e contrato fazem sentido. No paisagismo, cada área possui características próprias, o que inviabiliza qualquer tentativa de padronização de valores.
“Cada projeto é um projeto. Em paisagismo, é impossível trabalhar com preço por metro quadrado. Sem projeto, você não sabe exatamente o que está vendendo, e o cliente não sabe exatamente o que está comprando”
Para ele, o projeto é o momento de antecipar problemas e definir critérios como setorização, vazão e pressão, evitando erros que depois da instalação se tornam caros.
“O projeto é onde você erra barato. Não dá pra chegar e falar ‘vai custar mil’. Com projeto, o orçamento deixa de ser chute”
Já o contrato entra como uma etapa de segurança, garantindo que o que foi projetado e orçado seja executado conforme combinado. “Contrato não é burocracia, é proteção. Quando projeto, orçamento e contrato caminham juntos, o cliente entende o valor do serviço e a conversa deixa de ser só sobre preço.”
Por onde começar no mercado de irrigação
Ao final da entrevista, Alberto deixa um recado para quem deseja ingressar no mercado de irrigação. O primeiro passo, segundo ele, é buscar conhecimento técnico e compreender que irrigação vai muito além da escolha de equipamentos. Ele recomenda começar por projetos menores, estudar fundamentos e acompanhar profissionais mais experientes. Projetar antes de executar ajuda a desenvolver raciocínio técnico e evita erros no campo. Sobre o uso de softwares, Alberto reforça que eles são aliados importantes desde o início, desde que utilizados com consciência técnica. Para ele, construir uma base sólida desde os primeiros passos é o que garante crescimento profissional ao longo do tempo.
"O que eu aconselho é que a pessoa procure cursos de irrigação, como os que a Rain Bird oferece. São cursos que têm uma parte voltada ao desenvolvimento de projetos e outra dedicada à aplicação prática. Existem também cursos em Holambra, ministrados pelo Gustaaf Winters, que são realizados em conjunto com a Escola de Arte Floral, responsável por ceder o espaço. A ideia é que a pessoa faça cursos para entender melhor esse universo. Esses cursos costumam ter etapas, primeiro, você entende a irrigação de forma mais geral; depois, passa a desenvolver projetos de fato. Na minha visão, ter um pouco de conhecimento em exatas e também em biologia ajuda bastante. Claro que essa é apenas a minha percepção. No fim das contas, é preciso estudar muito. Estudar bastante."
Para quem quer se aprofundar
A conversa com Alberto Lopez reforça que irrigação é uma atividade técnica, estratégica e em constante evolução. Da prancheta ao software, do cálculo manual à automação, o mercado mudou, e continua exigindo profissionais preparados, críticos e comprometidos com a qualidade do projeto.
Para quem deseja se aprofundar nos temas abordados nesta matéria, o conteúdo completo está disponível em outros formatos. Logo abaixo, é possível assistir à entrevista em vídeo, publicada no YouTube, e também acessar o episódio em podcast, no qual Alberto aprofunda sua trajetória profissional, comenta situações práticas do mercado e amplia as reflexões sobre projeto, tecnologia e tomada de decisão na irrigação.
Veja também:
Da Perdomo Garden à Hydro Soluções: A Nova Jornada de Benito
Mateus Libarino Lidera a Revolução da Irrigação de Paisagismo no Litoral Gaúcho
Eficiência e Economia: Os Pilares da E2 Irrigação no Paisagismo

Anterior Próximo