André Bailone: Irrigação em Jardim Vertical Hidropônico

Autor: Jéssica de Souza - Data: 14/01/2022

 André Lacava Bailone

Este mês entrevistamos o engenheiro agrônomo e fundador da Vertigarden André Lacava Bailone. O assunto foi a irrigação em placas hidropônicas, sistema que a empresa utiliza em seus jardins verticais.

Aue Irrigação: Se apresente e fale sobre sua trajetória profissional.

André Bailone: Meu nome é André Lacava Bailone, sou engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ-USP) desde 2001. Durante minha graduação fundei um grupo de paisagismo dentro da ESALQ, o Plantart, no qual fui o coordenador e depois de formado resolvi tirar um ano sabático em Londres trabalhando com jardinagem.

Quando voltei para o Brasil fundei uma empresa de plantas aquáticas, a Itubanaia, voltadas para o tratamento de esgoto doméstico e industrial. No ano de 2012 a empresa pivotou e se transformou na Vertigarden, empresa que atua no segmento de jardins verticais e telhados verdes. Somos vanguardistas principalmente em obras de jardins verticais hidropônicos em larga escala no Brasil.


Aue Irrigação: Como surgiu a empresa Vertigarden?

André Bailone: A Itubanaia era uma empresa de paisagismo multifuncional, ou seja, a parte estética ficava em segundo plano e em primeiro plano a funcionalidade das plantas na fitostauração. Mas começamos a enxergar um grande segmento surgindo mundialmente, os jardins verticais, executados inicialmente pelo Patrick Blanc na França. Como era um ramo que iria crescer bastante, resolvemos apostar nisso e a Itubanaia então foi pivotada para a Vertigarden em 2012 fazendo a implantação dos jardins verticais do Hospital do Coração em São Paulo, que foi uma das primeiras grandes obras corporativas de larga escala do Brasil.


Aue Irrigação: Quais serviços ela fornece aos clientes?

André Bailone: Hoje a empresa oferece 4 segmentos:

- Business to consumer: Prestação de serviços, confecção, projeto, instalação e manutenção de jardins verticais e telhados verdes para o cliente final;
- Business to business: venda de todos os nossos produtos e placas hidropônicas (produzidas por nós) para empresas de paisagismo que querem trabalhar no segmento;
- Universidade Verticarden: onde ministramos os cursos para capacitar a trabalhar com os jardins verticais;
- Micro Franquias: para quem quiser vestir a camisa da Vertigarden, com a mesma identidade cultural e corporativa, passando por todos os processos estruturados pela empresa.


Placas Hidropônicas. Fonte: André Lacava Bailone.




Aue Irrigação: Em relação aos jardins verticais, tanto em menor escala como em larga escala a empresa usa o sistema de placas hidropônicas. Conta para nós o que seriam essas placas.

André Bailone: Nós usamos somente o sistema de placas hidropônicas, porque é o sistema que nós acreditamos na tecnologia. Foi criado inicialmente pelo Patrick Blanc na França, pai dos jardins verticais contemporâneos, a mais de 30 anos e nós tropicalizamos esse sistema aqui no Brasil.

Ela é super leve e não sobrecarrega a fachada da construção. A placa é modular de tamanho 1x1, mas também temos recortes a cada 20 cm para fazer os acabamentos.
O sistema é constituído por uma placa de polipropileno onde é acoplado um sanduíche de feltros sintéticos e imputrescíveis e super retentores de água. Ficam fixadas na parede com auxílio de uma barra de alumínio de 38mm x 38mm que mantém a distância da placa com a parede.


Aue Irrigação: E onde entra a irrigação nesse sistema?

André Bailone: Trabalhamos com dois tipos: a Home Light (linhas menores, em pequenas escalas, até 50m²) e a Corporativa.

Na Home Light usamos controladores a bateria, um filtro e um dosador de adubo da Gardena onde a água passa por ali e faz uma fertirrigação.

Já no Corporativo, onde os jardins são maiores, eles demandam uma casa de máquina mais complexa. Então nós temos controladores por setorização, existem as válvulas solenóides que trabalhamos para setorizar todo o jardim, filtros, fertirrigação com dosador de adubo volumétrico e/ou magnético.


Aue Irrigação: Ao escolher as plantas que irão compor o paisagismo vertical devemos considerar fatores como a incidência do sol, sombras, ventos. No que o projeto de irrigação interfere na inserção dessas plantas?

André Bailone: Interfere sim.

Na escolha das espécies das plantas que vão compor o jardim vertical temos que considerar, em primeiro lugar, o sol e de que lado a parede é instalada (face norte, sul, leste e oeste) para que possamos escolher as plantas; e em segundo lugar a irrigação.

Em um mesmo setor de irrigação não podemos colocar plantas que demandam muita água do lado de plantas que demandam pouca água. Temos que respeitar o potencial hídrico das plantas, de forma que não acabemos matando uma planta.

Outra coisa a considerar é a altura do jardim. Na parte superior perdemos mais água porque bate mais sol e mais vento. Na parte baixa temos menos incidência de sol e vento, além de existir o acúmulo da água que passa por gravidade de uma placa para outra.

Então é necessário a setorização do jardim para escolher as plantas.


Aue Irrigação: Normalmente o que é necessário conter em uma irrigação de um jardim vertical corporativo?

André Bailone: O básico da irrigação dos jardins verticais corporativos é:

Parte da casa de máquinas:
- painel de comando que irá controlar las válvulas solenóides;
- as válvulas solenóides que serão responsáveis pela setorização do jardim;
- painel de comando (normalmente vai dentro de um painel sinótico);
- filtro para reter as partículas sólidas;
- fertirrigação;
- bomba centrifuga ou pressurizadora (caso não haja pressão suficiente).

Parte do jardim:
- mangueiras: trabalhamos com as gotejadores autocompensantes ou as mangueiras de exsudação;
- nebulização do tipo fogger.


Aue Irrigação: Ainda em escala corporativa, como é feita a distribuição de água ao longo do jardim?

André Bailone: Ela acontece através de mangueiras de gotejo autocompensante ou mangueiras de exsudação. Essa mangueira de exsudação é de um tecido bem resistente e que, quando tem pressão, fica túrgido e transpira por todos os poros do tecido.

As mangueiras estão dentro do conjuntos de feltros que constitui a placa hidropônica. Conforme a irrigação é acionada essas placas encharcam e secam ao longo do dia, de forma a propiciar um sistema aeróbio, que vai fomentar toda a parte de microorganismos que estão na zona da manta.

Fora isso temos também uma tubulação no respaldo do jardim, que é uma micro nebulização do tipo fogger. Ela não é responsável pela irrigação em si, mas ela lava as folhas de eventuais sujeiras, principalmente em grandes cidades que possuem muitos carros passando nas ruas e a fuligem impregna nas folhas. De forma automatizada fazemos uma lavagem de tudo isso e acaba diminuindo a evapotranspiração das plantas e consequentemente um uso um pouco menor de consumo de água.

Outra coisa que acontece é que nós sempre usamos a fertirrigação, ou seja, todo o adubo líquido vai junto com a irrigação toda vez que ela é acionada.


Aue Irrigação: Em uma irrigação automatizada em tempos de chuva normalmente o sistema altera essa irrigação com auxílio do sensor de chuva, mas em um vídeo no seu canal você diz que não faz uso do instrumento. Explique o por que e qual a alternativa que utiliza para evitar a rega desnecessária.

André Bailone: Nós não fazemos uso do sensor de chuva porque, diferentemente de um jardim convencional que está no solo, o jardim vertical nem sempre recebe essa água da chuva.

Digo assim, se é um jardim face leste e a chuva vem da face oeste, ela está vindo de costas para o jardim, então não necessariamente está molhando as raízes. Se isso se prolongar por muito tempo as plantas ficam sem irrigação.

No solo convencional não importa o sentido da chuva, se vem do leste ou oeste. A chuva nunca vem de forma perpendicular ao solo, às vezes vem de forma transversal, angular. No chão ela sempre pega essa água, na parede não.


Aue Irrigação: Caso seja necessário, como é feita a manutenção do sistema de irrigação do jardim vertical em placa hidropônica sendo que ele fica acoplado à placa.

André Bailone: O que a gente costuma fazer quando é preciso desobstruir algum bico, ou mesmo quando a mangueira de exsudação começa a colmatar, é colocar um pouco de ácido cítrico na solução. Dá para fazer uma bela limpeza.

Caso contrário, temos que tirar a linha inteira daquele pedaço onde está o jardim. As mangueiras estão dispostas a cada metro, então se você observar alguma coisa é necessário retirar, trocar e colocar novamente.


Jardim Vertical Hospital Sirio Libanes. Fonte: André Lacava Bailone.




Aue Irrigação: Um projeto referência de vocês é o jardim vertical do Hospital Sirio Libanes. Em um paisagismo de 1000m2 qual foi o maior desafio de projetar a irrigação?

André Bailone: O maior desafio foi realmente a setorização do jardim. São 1000m² divididos em 12 setores (2 são para micro nebulização e os outros 10 para as mangueiras de exsudação)

Como ele tem 27 metros de altura, a parte de cima seca muito mais rápido porque bate mais sol e tem muito mais vento. A parte baixa acumula muita água. Então a gente teve que fazer todo um projeto de setorização do jardim para jogar mais água na parte de cima e menos água na parte de baixo de forma gradativa.


Aue Irrigação: Para finalizar, quais as dicas que você dá para aquele profissional que está começando nessa área de jardins verticais?

André Bailone: Para quem está começando a fazer jardim vertical existem várias metodologias construtivas:vasos pendurados, blocos cerâmicos. A metodologia que a Verigarden utiliza é a purista, inventada pelo Patrick Blanc a mais de 30 anos, de tecnologia de placas hidropônicas.

O jardim vertical hidropônico requer alguns conhecimentos, então indico fazer cursos, estudar bastante. A Vertigarden oferece cursos online e presenciais.

É muito interessante a pessoa montar um protótipo, em casa ou no escritório, para ensaiar e testar a irrigação, as diferentes espécies de plantas. Pegar bastante confiança antes de sair instalando direto no cliente final.


Agradecemos ao André Bailone pela disponibilidade de participar da entrevista.

Para quem quiser conhecer o processo projetual do jardim vertical hidropônico do hospital acesse Jardim Vertical Hidropônico - Hospital Sírio Libanês.



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O fundador da Vertigarden mostra como a empresa realiza a irrigação nos jardins verticais hidropônicos em grande escala.

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